quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Aníbal Cavaco Silva (n. Boliqueime, Loulé, 15 de Julho de 1939)


Presidente da República entre: 22 de Janeiro de 2005 - . . .

Economista, professor universitário e político português, Aníbal António Cavaco Silva nasceu em 1939, em Boliqueime. Licenciou-se em 1964 e doutorou-se em 1973, na Universidade de York, em Inglaterra. Foi professor de diversas instituições de ensino superior e dirigiu, a partir de 1977, o Gabinete de Estudos do Banco de Portugal.
Tornando-se militante do Partido Social Democrata (PSD) após a revolução do 25 de Abril de 1974, fez parte do VI Governo Constitucional, em 1980, constituído sob a chefia de Francisco Sá Carneiro. Ocupou então a pasta da Economia e Finanças, mas saiu do Governo em virtude de divergências políticas.
Tendo entretanto desempenhado diversos cargos no partido, em 1984 foi eleito presidente do PSD, no XII Congresso Nacional, realizado na Figueira da Foz. Entrou em ruptura com o Partido Socialista (PS), com o qual o PSD estava coligado no Governo do chamado Bloco Central, e passou, em 1985, a chefiar um Executivo minoritário. Com a realização de novas eleições legislativas em 1987, o PSD alcançou a maioria absoluta no Parlamento, que renovaria ainda quatro anos depois. Desta forma, Cavaco Silva liderou tanto o XI como o XII Governos Constitucionais.
A sua governação ficou marcada por uma política de desenvolvimento de infra-estruturas, por tensões com o presidente da República, Mário Soares, e por uma atitude de entusiasmo perante o projecto da União Europeia. Neste âmbito, pode referir-se que foi Cavaco Silva o primeiro-ministro português que assinou o Tratado de Maastricht.
Em 1995 decidiu não se recandidatar à liderança do PSD, vindo a suceder-lhe no cargo Fernando Nogueira. Na chefia do Governo sucedeu-lhe o líder socialista António Guterres. No ano seguinte apresentou a sua candidatura à Presidência da República, mas foi derrotado por Jorge Sampaio. Desde aí, manteve-se afastado da vida política activa, continuando a sua actividade de docente no Instituto Superior de Economia, até que, em 2005, decidiu regressar à política candidatando-se novamente à Presidência da República. Concorreu juntamente com mais cinco candidatos: Mário Soares, Manuel Alegre, Jerónimo de Sousa, Francisco Louçã e Garcia Pereira. Venceu as eleições realizadas a 22 de Janeiro de 2006 com a maioria absoluta de 50,59% dos votos, tornando-se o novo Presidente da República, em substituição de Jorge Sampaio.
É autor de vários livros sobre finanças e economia como Crónicas de Uma Crise Anunciada, União Monetária Europeia. Funcionamento e Implicações e Portugal e a Moeda Única. Mais tarde publica a sua autobiografia intitulada Aníbal Cavaco Silva. Autobiografia I (2002) e Aníbal Cavaco Silva. Autobiografia II (2004). Cavaco Silva é fundador da Global Leadership Foundation que nasceu em 2004 liderada por ex-governantes com o objectivo de aconselhar os actuais líderes políticos nas questões relacionadas principalmente com os países em desenvolvimento. Os presidentes honorários da Fundação são os ex-presidentes da República Nelson Mandela da África do Sul, Lech Walesa da Polónia e George Bush dos Estados Unidos da América.

BIBLIOGRAFIA

Diciopédia X [DVD-ROM]. Porto : Porto Editora, 2006. ISBN: 978-972-0-65262-1

OLIVEIRA, Leonel, “Quem é quem – portugueses célebres”. Editora Círculo de Leitores

O ideário republicano de Antero de Quental

O comportamento necessário da liberdade, que a faz viver e frutificar, é a República.

A República é :


no Estado, liberdade ;


nas conciências, moralidade ;


na indústria, produção ;


no trabalho, segurança ;


na Nação, força e independência ;

Para todos, riqueza ; para todos igualdade ; para todos luz ;




REGO, Raul "História da República", volume I

As Concorrentes


Aquando da Implantação da República, houve um concurso a nível nacional, por forma a serem criados projectos para a futura bandeira da «República Portuguesa». Apresentamos agora, alguns desses projectos bem como os seus autores:





Eis a vencedora!





A bandeira tem um significado republicano e nacionalista. Fica aqui uma explicação plausível para o significado das suas cores bem como dos símbolos que a compõem:

Verde – a cor da esperança; está ligada à revolta republicana de 31 de Janeiro de 1891;

Vermelho – é a cor combativa, quente, viril por excelência; é a cor da conquista e do riso; uma cor cantante, ardente e alegre; lembra o sangue e incita à vitória.

Esfera armilar – representa o Império Colonial Português e as descobertas feitas por Portugal.

Escudo de armas português (que se manteve tal como era na monarquia), sobreposto a uma esfera armilar:

- Cinco quinas: alusão às cinco chagas de Cristo.

- Besantes: cinco besnates* em cinco quinas (25 besantes** ao todo); estes fazem referência aos 30 dinheiros pelos quais Judas traiu Jesus Cristo. Segundo a lenda, antes da Batalha de Ourique (26 de Julho de 1139), D. Afonso Henriques rezava pela protecção dos portugueses quando teve uma visão de Jesus na cruz. D. Afonso Henriques ganhou a batalha e, em sinal de gratidão, incorporou o estigma na bandeira de seu pai, que era uma cruz azul em campo branco.

Sete castelos: tradicionalmente, representam as vitórias dos portugueses sobre os seus inimigos e simbolizam também o Reino do Algarve.


"Aqui pinta no branco escudo ufano,
Que agora esta victoria certifica,
Cinco escudos azues esclarecidos
Em signal destes cinco Reis vencidos"

Luis de Camões

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*Besante – nome dado a cada ponto branco incorporado nas cinco quinas da bandeira.

** Para dar a soma de 30 (numero de dinheiros pelos quais Judas traiu Jesus Cristo) os besantes da quina do meio devem ser contados duas vezes.

Bandeiras: da Fundação à República

A bandeira é um importante símbolo nacional.
Assim, deixamos aqui as bandeiras desde a Fundação da nacionalidade até à Implantação da República.










Um século de esperanças adiadas

Regionalização é uma promessa com 100 anos.

A República termina em 2010 o primeiro centenário sem ter cumprido uma das suas promessas mais emblemáticas: a substituição dos distritos pelas regiões administrativas ou, como lhe chamavam os republicanos primitivos, as "províncias".
A promessa era antiga quando em 1910 os republicanos depuseram a monarquia: já em 1891, ano em que se dá a revolta de 31 de Janeiro no Porto, o advogado de José Jacinto Nunes apresentou pelo Partido Republicano, um projecto de Código administrativo onde se prometia uma maior descentralização e maior autonomia dos poderes autárquicos.
"O continente da República portuguesa divide-se em províncias, as províncias em municípios e estes em freguesias" - dizia, no seu artigo primeiro, o projecto de Jacinto Nunes. Desapareciam nesta proposta os distrito.
Como diz o historiador Gaspar Martins Pereira, "o projecto republicano de Código administrativo apontava no sentido de uma regionalização", mas "instaurada a República, o projecto de Código Administrativo, elaborado por uma comissão presidida pelo mesmo Jacinto Nunes e apresentada à Câmara dos Deputados e ao Senado, em 1913 e 1914, seria bastante mais recuado".
Cem anos depois, o tema continua a dividir o país em moldes e com argumentos praticamente iguais, sem que, novamente, se tenha visto propriamente luz ao fundo do túnel.



in "Jornal de Notícias", 4 de Outubro de 2009